Guia do Estomizado
                   

Guia do Estomizado

9 Complicações com as Estomias

9.1 Problemas com a Colostomia
9.1.1 Buscando assistência médica
9.1.2 Voltando ao hospital
9.2 Problemas com a Ileostomia
9.2.1 Problemas graves de pele
9.2.2 Obstrução/bloqueio
9.2.3 Diarréia
9.2.4 Equilíbrio eletrolítico
9.2.5 Reto Fantasma
9.2.6 Síndrome do intestino curto
9.2.7 Buscando assistência médica
9.2.8 Voltando ao hospital
9.3 Problemas com a Urostomia
9.3.1 Problemas graves de pele
9.3.2 Cristais urinários
9.3.4 Buscando assistência médica
9.3.5 Voltando ao hospital

9.1 Problemas com a Colostomia

O problema mais comum depois da cirurgia de colostomia é o desenvolvimento de uma hérnia ao redor do local do estoma. Isso se manifesta como um inchaço na pele em volta do estoma, provocando dificuldade na irrigação e obstrução parcial. Deve-se evitar erguer grandes pesos imediatamente depois da cirurgia.

Muitos desses problemas podem ser evitados se o local do estoma for marcado pela enfermeira de estomia antes da cirurgia. O local preferido encontra-se no músculo reto abdominal, perto da linha média. A enfermeira de estomia também pode ajudar a cuidar de complicações (estenose, retração, prolapso, etc.), caso estas venham a surgir.

9.1.1 Buscando assistência médica

Você deve chamar o médico ou a enfermeira de estomia quando tiver:

• Cólicas fortes por mais de duas ou três horas.
• Odor incomum que persiste por mais de uma semana.
• Mudança incomum no tamanho e aparência do estoma.
• Obstrução e/ou prolapso do estoma.
• Sangramento excessivo da abertura do estoma ou uma quantidade moderada que surge várias vezes ao esvaziar-se a bolsa (note que comer beterraba produzirá um pouco de avermelhamento).
• Machucado severo ou corte no estoma.
• Sangramento contínuo na junção entre a pele e o estoma.
• Evacuação aquosa por mais de cinco ou seis horas.
• Irritação crônica da pele.
• Estenose do estoma (estreitamento)

9.1.2 Voltando ao hospital

Leve consigo seus equipamentos de estomia, pois talvez o hospital não tenha o seu tipo. Você pode descobrir que é o especialista em colostomias, especialmente se estiver num hospital onde pacientes estomizados são raros ou se você for por causa de uma condição não relacionada à sua estomia. Se você estiver em dúvida a respeito de qualquer procedimento, peça para falar com o seu médico. Peça que as seguintes informações sejam listadas no seu prontuário: 1) tipo de estomia ou desvio continente; 2) se o seu reto foi removido ou está intacto; 3) detalhes da sua rotina de cuidados e produtos utilizados; 4) tratamentos em curso (por exemplo, quimioterapia ou radioterapia).

9.2 Problemas com a Ileostomia

9.2.1 Problemas graves de pele

Grandes área de pele que estejam avermelhadas, doloridas e úmidas impedirão uma boa aderência do selo ao redor do estoma. Portanto, é importante tratar irritações menores quando ocorrerem pela primeira vez. Se você estiver com uma grande área irritada, entre em contato com seu médico ou enfermeira de estomia, os quais poderão lhe indicar alguma medicação.

Para úlceras provocadas pela pressão de um cinto apertado, afrouxe-o ou remova-o e chame o médico ou a enfermeira de estomia imediatamente, pois o tratamento é necessário. Outros problemas: Idem colostomia.

9.2.2 Obstrução/bloqueio

Há ocasiões em que a ileostomia não funciona por curtos períodos de tempo. Isso é normal. Contudo, se o estoma não entrar em atividade por 4 a 6 horas e surgirem câimbras e/ou náusea, o intestino pode estar obstruído. Uma obstrução (ou bloqueio) pode ser parcial, ou seja, deixar passar algum líquido. Chame seu médico ou a enfermeira de estomia em qualquer caso para discutir a situação.

Observe se não há inchaços no estoma e ajuste a abertura da bolsa de acordo até que o problema tenha passado. Tome um banho quente para relaxar os músculos abdominais. Às vezes, uma mudança na posição do corpo pode encorajar o movimento do bolo alimentar. Não tome laxantes.

A obstrução pode ser causada por alimentos que deixam muitos resíduos, tais como abacaxi, nozes, coco e milho. Também pode ser causada por mudanças internas, tais como aderências ou ainda por estenose severa do estoma.

9.2.3 Diarreia

Quando a diarreia ocorre, o conteúdo intestinal passa pelo intestino delgado muito depressa para que ocorra a absorção de fluidos e eletrólitos e isso pode provocar uma perda excessiva desses elementos. Você deve substituir rapidamente esses eletrólitos para não ficar doente por causa da desidratação e da deficiência mineral.

A diarreia tem estas características:

• O intestino expele grandes quantidades de dejetos aquosos.
• Surge subitamente e pode ser acompanhada por câimbras.

A diarreia pode ser causada por:

• Gripe intestinal, que pode ser acompanhada por febre e vômitos.
• Antibióticos, penicilina e outros medicamentos prescritos.
• Obstrução parcial caracterizada por excreção fétida, câimbras, dejeto líquido que sai com muita força e barulhos excessivos do estoma. Pode ser causada pela alimentação ou outros fatores. Você deve buscar atendimento médico se isso ocorrer.

Se a diarreia persistir, consulte seu médico ou enfermeira de estomia. Tome os medicamentos do modo prescrito. Então substitua os fluidos bebendo uma xícara de chá fraco e doce, dentro de uma hora, ou um copo de caldo salgado. Continue alternando as bebidas enquanto a diarreia subsistir. Beber sempr pequenas quantidades e com intervalos curtos. Tenha sempre consigo uma garrafa de água sem gás, reintroduza alimentos sólidos tão logo a diarreia melhore, bem mastigados ou processados.

9.2.4 Equilíbrio eletrolítico

O equilíbrio dos eletrólitos (especialmente potássio e sódio) é importante. Quando o cólon (intestino grosso) é removido, pode ocorrer um grande risco de desequilíbrio eletrolítico. A diarréia, a transpiração excessiva e o vômito podem provocar esse risco. Sua dieta deve incluir fluidos e alimentos ricos em sódio e potássio.

A desidratação é uma preocupação comum, com sintomas de sede crescente, boca seca, diminuição da urina e fadiga. Beba quaisquer fluidos que sejam ricos em potássio e sódio. A ingestão diária de fluidos deve ficar entre 8 e 10 copos de aproximadamente 2000 ml. Qualquer líquido que contenha água (refrigerante sem gás, leite, ou alguns sucos, etc.) ajuda a preencher essa necessidade diária. A perda de apetite, a sonolência e câimbras nas pernas podem indicar deficiência de sódio. Fadiga, fraqueza muscular e respiração curta podem indicar deficiência de potássio.

9.2.5 Reto Fantasma

Consulte o item 8.1.12.

9.2.6 Síndrome do intestino curto

Essa condição ocorre na doença de Crohn ou doenças do intestino delgado, quando a cirurgia é necessária para remover uma parcela substancial do intestino delgado. Essa condição merece atenção especial por causa da perda da função vital de absorção do intestino.

Pessoas com essa condição devem permanecer sob a supervisão de um médico. Podem viver uma vida normal, mas devem ser cuidadosas para manter uma nutrição adequada, evitar a diarréia e ficarem ao alcance do cuidado médico. Quanto mais curto for o intestino delgado, mais líquido será o dejeto. Isso poderá reduzir a vida útil de uma bolsa por causa do enfraquecimento mais rápido da barreira de pele. Sistemas de bolsa especiais estão disponíveis para ileostomias com grande quantidade de dejetos líquidos. A dieta deve ser rigorosamente planejada.

9.2.7 Buscando assistência médica

Além do que já está registrado no item 9.1.2, procure assistência médica se :

• A ileostomia não apresentar nenhuma excreção por mais de 4 ou 6 horas e você sentir câimbras e náusea.
• Apresentar dejetos aquosos em grande quantidade por mais de 5 a 6 horas.
• Fortes dores abdominais, câimbras, etc.
• Sinais de desidratação, redução drástica de volume urinário.
• Edema de membros inferiores.

9.2.8 Voltando ao hospital

Consulte o item 9.1.2.

9.3 Problemas com a Urostomia

9.3.1 Problemas graves de pele

Grandes áreas de pele irritada e avermelhada, muito doloridas e sempre úmidas impedirão uma boa vedação ao redor do estoma. Portanto, é importante combater pequenas irritações tão logo ocorram. Se você tiver uma irritação que não desaparecer em poucos dias, ou uma incrustação em volta do estoma, entre em contato com seu médico ou enfermeira de estomia. A seriedade que o problema vai assumir depende de uma intervenção logo no começo. Lembre-se de que, com um sistema de bolsa adequadamente ajustado, um fluxo apropriado de fluidos e bons cuidados com a pele, você pode esperar poucas dificuldades.

9.3.2 Cristais urinários

Cristais urinários no estoma ou na pele estão associados com urina alcalina. Os cristais surgem como partículas brancas e arenosas e podem levar a irritação do estoma e/ou sangramento. Limpeza adequada, manutenção do nível de acidez da urina e cuidar para que a abertura da bolsa esteja sempre no tamanho correto são medidas que ajudarão a prevenir a formação de cristais urinários. Para ajudar a reduzí-los, faça compressas com vinagre que possam ser aplicadas por alguns minutos ao estoma quando a bolsa for trocada (misture partes iguais de água e vinagre branco).

9.3.4 Buscando assistência médica

Além do que já está registrado no item 9.1.2, procure assistência médica se você tiver febre e ocorrerem odores fortes, indicando uma infecção dos rins.

9.3.5 Voltando ao hospital

Além do que já está registrado no item 9.1.2, tenha o cuidado de não utilizar a urina da bolsa coletora para exames. Use um cateter inserido no estoma para coletar a urina com essa finalidade. Ex: urina para urocultura.

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