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Guia do Estomizado
                   

Guia do Estomizado

8 Cuidando das Estomias

8.1 Cuidados com a Colostomia (geral)
8.1.1 Bolsas (colostomia)
8.1.2 Tampão/cobertura para o estoma
8.1.3 Armazenagem
8.1.4 Obtendo equipamentos
8.1.5 Vedação da bolsa
8.1.6 Pele periestomal
8.1.8 Gás intestinal
8.1.9 Odor
8.1.10 Constipação e diarreia
8.1.11 Cuidados com o ferimento posterior
8.1.12 Ocorrência da sensação retal fantasma
8.2 Cuidando de uma colostomia transversa
8.3 Cuidando de uma colostomia descendente ou sigmóide
8.3.1 Evacuação natural
8.3.2 Irrigação
8.3.2.1 Informações sobre a irrigação
8.4 Cuidados com a Ileostomia Padrão
8.4.1 Escolhendo um sistema de bolsas
8.4.2 Bolsas (ileostomia)
8.4.3 Protegendo a pele ao redor do estoma
8.4.4 Pontos de sangue no estoma
8.4.5 Pelos sob a bolsa
8.4.6 Flatulência (gás)
8.4.7 Odor
8.4.8 Medicamentos/absorção
8.5 Cuidados com as Urostomias
8.5.1 Sistemas de bolsa
8.5.2 Proteção para a pele
8.5.3 Trocando o sistema de bolsa
8.5.4 Esvaziando a bolsa
8.5.5 Cintos e fita
8.5.6 Sistema de drenagem noturna
8.5.7 Equilíbrio do pH urinário

8.1 Cuidados com a Colostomia (geral)

8.1.1 Bolsas (colostomia)

 Bolsas (colostomia)

As bolsas são fabricadas em vários estilos e em tamanhos que não aparecem sob a roupa. São feitas de materiais descartáveis e criadas para ser usadas uma vez e depois descartadas. Muitos colostomizados usam uma bolsa. Por exemplo, aqueles que têm uma colostomia transversa, aqueles que não desejam irrigar e aqueles que têm alguma evacuação entre as irrigações.

Basicamente, todas têm as mesmas funções. Elas coletam o dejeto que pode ser expelido em momentos certos ou inesperadamente. Algumas são abertas no fundo para ser esvaziadas com facilidade. Outras permitem que a placa adesiva ou flange permaneça no corpo enquanto a bolsa pode ser destacada, esvaziada e recolocada. Bolsas com flange estão disponíveis em formato convexo e plano. Todos, incluindo aqueles que irrigam, precisam de algum tipo de bolsa de estomia à mão, mesmo que apenas para situações emergenciais.

8.1.2 Tampão/cobertura para o estoma e sistemas oclusores

cobertura para o estoma

Uma cobertura semelhante a uma gaze pode ser colocada sobre o estoma e fixada com uma fita à prova de água ou outro acessório a ser usado sob a roupa. Tampões para estomia também estão disponíveis para compra. Esse método pode ser usado quando as colostomias funcionam regularmente, ou nas fistulas mucosas, ou seja, podem ser usadas por estomizados que usam a irrigação como sistema para continência fecal.

8.1.3 Armazenagem

Por discreção e conveniência, mantenha todo o seu equipamento reunido numa prateleira ou numa pequena caixa em local fresco. O calor excessivo pode provocar a deterioração dos itens plásticos e dos produtos para cuidado com a pele.

8.1.4 Obtendo equipamentos

É uma boa idéia fazer o pedido dos equipamentos várias semanas antes do que você espera que eles acabem. É melhor que você evite fazer estoques de equipamentos porque esses produtos têm um prazo de validade e são influenciados pelas mudanças de temperatura. Você não precisa usar equipamentos esterilizados. O estoma e a área circundante não estão livres de bactérias, mas não há necessidade de nada além de uma limpeza comum. Equipamentos para estomia podem ser comprados em farmácias, distribuidores de equipamentos médicos e pela Internet.

8.1.5 Vedação da bolsa

Além do tipo de vedação e do ajuste correto, existem vários outros fatores que podem influenciar o tempo que a bolsa permanecerá selada. São fatores tais como: o clima, peculiaridades da pele, cicatrizes, mudanças de peso, dieta, atividade, contornos do corpo perto do estoma e a natureza da evacuação e tipo de estoma. A localização e a forma como a mucosa for exteriorizada irá influenciar na vedação.

A transpiração durante os meses de verão em climas quentes e úmidos pode encurtar o número de dias durante os quais você poderá usar o sistema de bolsas. Uma pele úmida e oleosa pode reduzir o tempo de aderência.

Mudanças de peso também afetarão a vida útil de sua bolsa. O peso adquirido ou perdido depois da cirurgia de colostomia muda os contornos abdominais. Você pode precisar modificar o seu sistema de bolsas.

As atividades físicas terão uma certa influência sobre o período em que você poderá usar sua bolsa. Natação, trabalho ou esportes muito vigorosos que provocam transpiração podem encurtar o tempo de uso.

8.1.6 Pele periestomal

Uma colostomia que expele dejetos firmes geralmente causa poucos problemas (se chegar a provocar algum). Se a evacuação não for firme, como é muitas vezes o caso em colostomias transversas, ela poderá irritar a pele. Aqui estão alguns modos de prevenir problemas de pele:

• Use uma bolsa com o tamanho da abertura e da barreira de pele corretos. Não permite que a abertura seja mais de 3 mm mais larga do que o estoma.
• Use produtos para a pele que formem sobre ela uma camada, a fim de protegê-la da irritação causada pelas enzimas digestivas ou por adesivos. Tais produtos também ajudam na aderência da placa.
• Troque a bolsa regularmente para evitar vazamentos e a irritação da pele. Recomenda-se trocar a bolsa se ocorrerem coceira e queimação.
• Remova a bolsa empurrando com cuidado sua pele para longe dela. Isso ajuda a impedir a excessiva irritação da pele.
• Use água para manter a pele limpa. Se necessário, use um sabonete neutro e enxágüe muito bem. Isso pode ser feito no chuveiro ou na banheira. Certifique-se de que a pele esteja seca e fresca antes de aplicar a bolsa ou a cobertura para estoma.
• Observe a sensibilidade e alergias a adesivos, barreiras de pele, fita ou material da bolsa. Elas podem se desenvolver semanas, meses ou até mesmo anos depois do uso de um produto, uma vez que o corpo pode se tornar gradualmente mais sensível. Se você tiver uma irritação de pele provocada pelo material da bolsa, poderá tentar uma cobertura para a bolsa. Essas coberturas são vendidas por vários fabricantes ou você pode fazer a sua própria. Se a irritação for na área adesiva , identificar a parte que causou a irritação e procure usar outro adesivo, ou evitar o causador de irritação.

8.1.8 Gás intestinal

Durante as primeiras semanas e meses depois da cirurgia, você pode experimentar uma produção excessiva de gases. Isso vai diminuir depois de o intestino receber tempo para curar-se e de você retomar uma dieta regular. Para ajudar a prevenir o excesso de gases, coma relaxadamente, num ambiente calmo, com a boca fechada e mastigue bem. Bebidas carbonatadas e gomas de mascar devem ser consumidas com moderação. Certos alimentos, tais como pepinos, repolho, brócolis, cebolas, peixe e feijões podem provocar gases intestinais. Grandes quantidades de vegetais ou doces podem criar gases. A constipação e uma irrigação inadequada também podem causar gases.

Se você continuar a ter problemas, anote o que você come e como a comida é preparada. Com esse registro, você pode descobrir o que causa o problema. Para abafar descargas barulhentas de gás, coloque a mão discretamente sobre o seu estoma. Coma a intervalos regulares e evite comidas que favoreçam a formação de gases.

8.1.9 Odor

Certas comidas tendem a produzir mais gás e odor do que outras, isto é, cebolas, feijões, repolho, brócolis, ovos e peixe. Alguns medicamentos, tais como vitaminas e antibióticos também fazem com que os dejetos tenham odor. Discuta esse problema com seu médico, que poderá prescrever um outro tipo de medicação e com nutricionista para orientar a alimentação.

Algumas opções para controlar os odores incluem produtos orais (bismuto subgalato) e pastilhas desodorantes na bolsa. Esses produtos são mais eficientes em colostomias transversas porque a evacuação tem uma consistência mais líquida.

8.1.10 Constipação e diarreia

Muitas vezes, a constipação (prisão de ventre) é o resultado de uma dieta desequilibrada, com uma ingestão muito pequena de comida ou líquidos ou uso de certas medicações. Essas são questões sobre as quais você deve conversar com sua enfermeira de estomia ou médico. Se você teve problemas de constipação no passado, antes da cirurgia, lembre-se de como os resolveu e tente os mesmos métodos. NÃO use laxantes sem antes perguntar ao seu médico.

A diarreia geralmente é um aviso de que algo não está certo. A diarreia é definida como movimentos intestinais freqüentes ou aqüosos em quantidade maior do que seria normal. A diarréia deve ser diferenciada de movimentos intestinais frouxos. Intestinos frouxos são comuns em colostomias transversas. Isso se deve ao comprimento encurtado do cólon e não é um sinal de doença.

Se você tiver diarreia ou constipação persistente, deve falar a esse respeito com seu médico ou enfermeira de estomia. Discuta sua dieta, os horários em que come e quaisquer medicamentos que esteja tomando. Eles podem recomendar alguma coisa para ajudar a controlar a situação. Lembre-se, você precisa de uma dieta balanceada e rica em fibras e líquidos para obter uma boa evacuação.

8.1.11 Cuidados com o ferimento posterior

Em alguns pacientes, o reto e o ânus são removidos e haverá um ferimento posterior. O cuidado com o ferimento posterior baseia-se na simples higiene e no uso de curativos ou enchimentos para absorver e conter quaisquer secreções. Infecções persistentes ou drenagem podem ser tratadas com antibióticos ou banhos de assento. Seu médico deverá delinear um tratamento a ser seguido.

8.1.12 Ocorrência da sensação retal fantasma

A sensação retal fantasma é semelhante à sensação do membro fantasma dos amputados que sentem como se o membro removido ainda estivesse ali. É normal que você sinta como se precisasse evacuar. Isso pode ocorrer por anos após a cirurgia. Se o reto não foi removido, é possível que essa sensação apareça e ocorra a passagem de muco quando a pessoa sentar no toalete. Alguns pacientes cujo reto foi removido dizem que a sensação é de algum modo aliviada quando se sentam no toalete e agem como se uma evacuação estivesse ocorrendo.

8.2 Cuidando de uma colostomia transversa

A descarga de uma colostomia transversa é semi-sólida, com movimentos intestinais imprevisíveis e contém algumas enzimas digestivas. O cuidado de uma colostomia transversa consiste em proteção para a pele e uma bolsa drenável. Uma bolsa fechada pode ser usada por conveniência durante atividades especiais.

Geralmente, a irritação da pele pode ser prevenida por meio de uma bolsa corretamente ajustada e pelo uso de proteção para a pele periestomal.

A consistência do dejeto é de certo modo influenciada pelo que você come. O gás e o odor são parte do processo digestivo e podem ser controlados pela sua seleção de alimentos. Certas comidas produzem mais gás e odor (isto é, cebolas, feijões, repolho, brócolis, ovos, peixe).

Esvaziar a bolsa várias vezes ao dia reduz o risco de vazamento e saliências embaixo da sua roupa. Uma bolsa de uma peça não deve ser trocada mais de uma vez ao dia para prevenir a irritação da pele. Uma bolsa de duas peças (placa/bolsa) deve ser trocada a cada três (ou cinco) dias.

8.3 Cuidando de uma colostomia descendente ou sigmóide

8.3.1 Evacuação natural

A colostomia descendente ou sigmóide pode ser controlada pela evacuação natural, ou seja, apenas deixe que ocorra naturalmente. Esse método vai exigir que um conjunto de bolsas seja usado a todo momento. Muitos indivíduos com colostomia descendente ou sigmóide retornarão a um padrão de movimentos intestinais previsíveis.

8.3.2 Irrigação

Irrigar (um enema pelo estoma) para obter movimentos intestinais regulados é uma escolha do indivíduo. Isso deve ser discutido com seu médico ou com sua enfermeira de estomia antes de ser decidido. Um médico ou uma enfermeira de estomia deverá instruir você sobre esse procedimento.

Entre os equipamentos de estomia específicos necessários a procedimento incluem-se: 1) recipiente plástico para irrigação com um longo tubo e um cone para introduzir a água na colostomia; 2) uma mangueira de irrigação que é utilizada para dirigir o dejeto ao toalete; 3) um cinto ajustável para fixar a mangueira de irrigação e 4) um grampo (clamp) para a parte final da mangueira de irrigação. Então uma bolsa fechada ou uma cobertura para o estoma ou ainda um sistema oclusor podem ser utilizados até a próxima irrigação.

Irrigação

8.3.2.1 Informações sobre a irrigação

• Escolha um momento do dia em que você possa ter acesso ao banheiro sem ser interrompido.
• A irrigação pode ser mais satisfatória se realizada depois de uma refeição ou da ingestão de uma bebida quente ou morna.
• Insira cerca de um litro de água morna (quente não, a temperatura deve estar entre 37ºC e 38ºC ) no recipiente plástico do seu equipamento de irrigação. O volume de água deve ser decidido pelo estomaterapeuta.
• Mantenha o equipamento numa altura tal que a parte inferior fique no nível dos seus ombros quando você estiver sentado.
• Sente-se ereto no vaso sanitário ou numa cadeira perto dele.
• Conecte o cinto ajustável à mangueira plástica de irrigação e posicione a porção final da mangueira no vaso sanitário.
• Umedeça ou lubrifique o fim do cone com água ou lubrificante cirúrgico solúvel em água.
• Para remover as bolhas de ar do tubo, solte o grampo do tubo e deixe uma pequena quantidade de água correr para a mangueira. Prenda outra vez o grampo, insira o cone na colostomia de forma confortável, mas não use muita força. Novamente, solte o grampo do tubo e deixe que a água flua.
• A água deve entrar lentamente. Você deve fechar o grampo ou apertar as paredes do tubo para deixar o fluxo de água mais lento ou pará-lo. Leva cerca de cinco a dez minutos para inserir a água. Mantenha o cone no lugar por um período adicional de ao menos 15 segundos.
• A quantidade de água de que você precisará depende do seu próprio corpo. Comece com 1 l e faça ajustes para obter um bom retorno.
• Você não deve experimentar câimbras ou náusea enquanto a água flui para dentro. Esses sintomas indicam um fluxo que é muito rápido, com muita água, ou que a água está muito fria. Uma vez que a água tenha sido introduzida, uma câimbra semelhante a um movimento intestinal pode preceder o retorno da água e dos dejetos. Pode-se experimentar náusea na primeira vez.
• Remova o cone e feche a parte superior da mangueira de irrigação unindo-a ao estoma. Os dejetos virão em jorros por um período de aproximadamente 45 min. Assim que a maior parte dos dejetos tenha sido expelida, você poderá prender a parte de baixo da mangueira de irrigação junto com a de cima usando um grampo. Você poderá se movimentar, banhar-se ou fazer qualquer coisa que deseje para passar o tempo.
• Com o tempo, você saberá quando toda a água e todos os dejetos tenham sido expelidos. Um jato de gás pode indicar que o processo está completo ou a aparência tranqüila do estoma pode ser um sinal.
• Se uma irrigação completa sempre leva muito mais do que uma hora, consulte seu médico ou enfermeira de estomia para avaliar o seu procedimento.

Antes de começar o processo de irrigação, você sempre deverá receber um treinamento de no mínimo três sessões de irrigação, a fim de poder realizá-la com sucesso e beneficiar-se ao máximo desse procedimento. A irrigação permitirá, na maioria dos casos, que você permaneça entre uma irrigação e a seguinte sem eliminar as fezes (isto é, sem movimento intestinal), podendo assim ficar sem a bolsa coletora, podendo um protetor ou o sistema oclusor (de preferência), por já conter filtro para gases.

8.4 Cuidados com a Ileostomia Padrão

Aprender a cuidar da sua ileostomia pode parecer difícil no começo, mas, com a prática e com as suas próprias adaptações, o processo todo passará a fazer parte de uma segunda natureza, assim como fazer a barba ou tomar banho. Um sistema de bolsa adequado deve permitir o seguinte:

• Segurança com uma boa vedação anti-vazamentos, (que dure entre 3 e 7 dias)
• Bolsa resistente a odores
• Proteção para a pele
• Discreção
• Aplicação e remoção fáceis

8.4.1 Escolhendo um sistema de bolsas

Muitos fatores podem influenciar na seleção. O comprimento do estoma, a firmeza e os contornos do abdômen, a localização do estoma, cicatrizes e dobras na área abdominal e a sua altura e peso são todos fatores que devem ser levados em consideração ao determinar o que é melhor para você. Adaptações especiais podem ser necessárias para estomas localizados perto da bacia, da cintura, da virilha, de cicatrizes, etc. Produtos adaptados individualmente para responder a situações incomuns podem ser obtidos com determinadas companhias.

Escolher o melhor sistema de bolsas é uma questão muito pessoal. É importante que você esteja adequadamente ajustado, assim como aos seus óculos. Quando você estiver escolhendo o seu primeiro sistema de bolsas, será melhor consultar uma enfermeira de estomia ou alguém que já tenha experiência nessa área.

8.4.2 Bolsas (ileostomia)

Bolsas (ileostomia)

Um sistema de bolsas é usado para coletar o dejeto da ileostomia. Existem disponíveis dois tipos principais de sistema: bolsas de uma peça com barreira de pele e sistema de duas peças, composto de barreira de pele e bolsa destacável. A barreira ou base da bolsa pode exigir que um buraco seja cortado para o estoma, evitando-se as pré-cortadas.

Bolsas para o sistema de uma e duas peças são drenadas por meio de uma abertura no fundo. As bolsas são feitas de materiais resistentes a odores e seu custo é variável. Podem ser transparentes ou opacas e ter diferentes tamanhos e formatos.

8.4.3 Protegendo a pele ao redor do estoma

O dejeto da ileostomia pode ser irritante para a pele ao redor do estoma. Essa área deve se parecer com o restante do abdômen. Use as seguintes técnicas para manter a sua pele saudável:

• Utilize o tamanho de bolsa e de barreira de pele corretos. Uma abertura que seja muito pequena pode cortar ou machucar o estoma ou fazê-lo inchar. Uma abertura que seja muito grande expõe a pele a uma possível irritação. Em ambos os casos, troque a bolsa ou a barreira de pele e substitua por outras que se ajustem adequadamente. De preferência a sistemas recortáveis para melhor ajusta-lo ao tamanho e formato de estomas.
• Coceira ou queimação indicam que o sistema de bolsa deve ser trocado.
• Troque a bolsa regularmente para evitar vazamento e irritação na pele.
• Remova a bolsa ou a barreira de pele gentilmente empurrando a sua pele para separá-la da bolsa ou barreira, não puxando da pele a bolsa ou barreira.
• Limpe com água a superfície da pele ao redor do estoma. Um sabonete neutro pode ser usado, mas enxágüe cuidadosamente. Seque bem antes de aplicar a barreira de pele ou a bolsa.
• Observe quaisquer sensibilidades ou alergias ao adesivo, à barreira de pele, pasta, fita ou ao material da bolsa. Essas reações podem se desenvolver em semanas, meses, ou até mesmo anos depois do uso de um produto, uma vez que a sensibilidade pode surgir gradualmente. Você pode testar diferentes produtos para ver se a sua pele reagirá contra eles.

8.4.4 Pontos de sangue no estoma

Pontos de sangue não são causa para alarma. A limpeza ao redor do estoma, quando você troca a bolsa ou a barreira de pele, pode provocar um leve sangramento. Os vasos de sangue nos tecidos do estoma são muito delicados na superfície e podem facilmente se romper. O sangramento, em geral, vai parar tão facilmente como começou e poderão indicar trauma ou outras alterações de mucosa e/ou pele periestomal. Consulte seu enfermeiro.

8.4.5 Pelos sob a bolsa

O excesso de pelos ao redor do estoma pode interferir com a barreira de pele e pode causar dor ao removê-la. Nunca depilar com lâminas ou depilatórios, aparar os pelos com uma tesoura. Sempre se deve tomar cuidado ao usar uma navalha ou barbeador. Um sabonete neutro ou creme de barbear podem ser utilizados. Enxágüe bem. A tesoura deve ser curva e com pontas rombas. Faça uma boa higiene após cortar os pelos.

8.4.6 Flatulência (gás)

Imediatamente depois da cirurgia, pode parecer que você tem gás em excesso quase todo o tempo. Muitas cirurgias abdominais são seguidas por esse sintoma desconfortável e embaraçoso, ainda que inofensivo. À medida em que os resíduos descerem, os gases ocorrerão com menos freqüência. Certos alimentos podem provocar o gás intestinal: ovos, repolho, cebolas, peixe, feijões, leite, queijo e bebidas alcoólicas.

Comer regularmente ajudará a prevenir a formação excessiva de gás. Saltar refeições para evitar o gás ou a excreção não é inteligente, pois seu intestino delgado ficará mais ativo e mais gases e dejetos aquosos serão o resultado provável. Algumas pessoas acham melhor ingerir uma quantidade menor de comida 4 ou 5 vezes por dia.

Você pode ficar preocupado com a reação das demais pessoas aos sons provocados pelos gases. Descobrirá que esses sons parecem mais altos para você do que para os demais e podem lhes parecer como o estômago roncando. Se você ficar envergonhado por esses sons quando outras pessoas estiverem por perto, poderá dizer: "Desculpe, é o meu estômago roncando." Se você sentir que está a ponto de liberar o gás quando estiver perto de outras pessoas, cruze casualmente os braços sobre o seu abdômen, de forma que os antebraços fiquem em cima do estoma. Isso vai abafar a maioria dos sons. Verifique com sua enfermeira de estomia a possibilidade de usar produtos orais para inibir a formação do gás intestinal (veja o item 8.1.8).

8.4.7 Odor

Muitos fatores, tais como alimentos, ação bacteriana normal no seu intestino, doença, medicamentos diferentes e vitaminas podem provocar o odor. Algumas pessoas com ileostomias têm mais problemas com odores do que outras. A experimentação individual é a única solução para esse problema. O odor do conteúdo ileal não é o mesmo de um dejeto formado porque as bactérias que provocam a quebra do alimento no cólon não estão presentes no intestino delgado. Aqui estão algumas dicas para controlar o odor:

• Use uma bolsa resistente ao odor.
• Verifique a aderência da barreira de pele.
• Esvazie a bolsa freqüentemente.
• Coloque líquidos e/ou tabletes desodorantes especiais na bolsa.
• Preparados orais estão disponíveis. Verifique com seu médico ou enfermeira de estomia a possibilidade de usar esses produtos e a dosagem recomendada. Entre os mais populares estão os tabletes de clorofila, o bismuto subgalato e o bismuto subcarbonato. Nunca utilize ácido acetil salicílico (AAS).
• Desodorizadores de ar estão disponíveis e controlam eficientemente o odor ao esvaziar-se a bolsa.

8.4.8 Medicamentos/absorção

Medicação na forma de tabletes revestidos ou de cápsulas pode sair inteira na bolsa e não beneficiar o paciente em nada. Discuta isso com seu médico ou farmacêutico. Pode haver medicações alternativas que você possa utilizar para evitar esse problema. Remédios líquidos ou em gel líquido oferecem uma absorção mais rápida e mais eficiente.

8.5 Cuidados com as Urostomias

Aprender a cuidar da sua urostomia pode parecer um procedimento complicado no início, mas, com a prática e com suas próprias adaptações, o processo inteiro se tornará uma segunda natureza, assim como fazer a barba ou tomar banho.

8.5.1 Sistemas de bolsa

Um sistema de bolsa eficiente deve permitir o seguinte:

• Segurança com uma boa vedação à prova de vazamento, durando entre 3 e 7 dias
• Proteção para a pele
• Discreção
• Fácil de aplicar e remover
• Segurança

Um sistema de bolsa é usado para coletar a urina. Há dois tipos principais de sistemas disponíveis: bolsas de uma peça com barreira de pele e sistemas de duas peças, compostos de barreira de pele e bolsa destacável. A barreira de pele ou base da bolsa exigirá que um buraco seja cortado para o estoma, mas também é possível comprar bolsas pré-cortadas.

Sistemas de bolsa

Cada bolsa de urostomia tem uma válvula para drenagem no fundo, de modo que a bolsa possa ser esvaziada de acordo com a necessidade. Geralmente, é uma boa idéia esvaziar a bolsa quando ela estiver com até um terço de sua capacidade. Durante o dia, muitas pessoas acharão necessário esvaziar a bolsa com a mesma freqüência que faziam antes da cirurgia de urostomia ou qualquer outro defeito da bexiga.

À noite, um tubo flexível comprido pode ser ligado à válvula de drenagem da sua bolsa. Isso permitirá que a urina flua para um coletor ao lado da sua cama enquanto você dorme. Muitas pessoas acharão que a drenagem para um coletor ao lado da cama será preferível a levantarem-se durante a noite para esvaziar a bolsa. Outras preferem levantar-se ou controlar a ingestão hídrica.

No hospital, onde há enfermeiras de estomia, suas necessidades pessoais serão avaliadas e seu sistema de bolsa será selecionado para você. Algumas pessoas usarão esse mesmo tipo de bolsa para o resto de suas vidas. Para outras, o ganho de peso, o crescimento normal de uma criança e outros fatores podem mais tarde exigir que um tipo de bolsa novo ou diferente seja utilizado. Não continue a usar um tipo de bolsa que tenha sido recomendado para você se isso não for satisfatório. Tente tipos diferentes de bolsas até encontrar um que seja confortável e conveniente para você.

8.5.2 Proteção para a pele

O fluxo constante da urina do estoma pode ser muito irritante para a sua pele. Por isso, muitas bolsas de urostomia têm barreiras de pele para proteção. Os sistemas de bolsa podem vir com uma abertura pré-cortada ou podem ser cortados para ajustar-se ao tamanho e formato do estoma. Imediatamente depois da cirurgia, o estoma estará inchado, mas diminuirá de tamanho dentro de 6 a 8 semanas. Durante esse período pós-operatório, o estoma deverá ser medido uma vez a cada semana. Um cartão de medidas poderá ser incluído nas caixas de bolsas ou barreiras de pele e você pode criar seu próprio modelo para adaptar-se ao seu formato de estoma. A abertura não deve exceder o tamanho do estoma em mais do que 1/8 para impedir o vazamento de urina sobre a pele.

Existem vários outros fatores que podem influenciar a duração da selagem da sua bolsa. Incluem-se entre esses fatores: encaixe adequado, clima, peculiaridades da pele, cicatrizes, mudanças de peso, dieta, atividade e contornos abdominais na área próxima ao estoma (veja o item 8.1.5).

8.5.3 Trocando o sistema de bolsa

Você poderá colocar a bolsa com maior facilidade se trocá-la pela manhã, antes de comer ou beber qualquer coisa. Se isso não for conveniente para você, tente esperar ao menos uma ou duas horas depois de ter ingerido fluidos, para que não haja urina gotejando sobre a pele.

Você será capaz de decidir se deve trocá-la sentado, em pé ou deitado. A posição deve ser aquela que lhe proporcionar a melhor visão do seu estoma e aquela que permitir maior comodidade durante a troca. Algumas pessoas preferirão ficar em pé diante do vaso sanitário para que a urina, gotejando do estoma, possa cair ali. Ao trocar-se sentado numa cadeira será útil deslizar suas nádegas para a borda da cadeira e reclinar-se. Os paraplégicos que usam bolsa, podem fazê-lo sentados ou deitados.Usar um espelho ajudará a centralizar a bolsa no estoma. Algumas pessoas acharão útil usar gaze ou toalhas de papel para absorver a urinar que pingar do estoma.

Nas primeiras vezes que você mudar sua bolsa, provavelmente levará cerca de 30 minutos. Depois de adquirir confiança e experiência, será capaz de trocá-la em dez minutos ou menos. Lembre-se de que a sua bolsa deve ser trocada com uma periodicidade adequada às suas atividades. Em outras palavras, não espere a bolsa vazar para mudá-la.

Bolsas limpas diminuirão as chances de introduzir bactérias no sistema urinário. As bactérias se multiplicarão rapidamente mesmo na menor gota de urina. Essas bactérias podem viajar pelos uréteres e provocar uma infecção dos rins. Além disso, as bactérias podem provocar odor ao atuarem sobre a urina. Manter todos os itens imaculadamente limpos economizará tempo e dinheiro para você. Tenha sempre ao menos duas bolsas completas, uma em seu corpo e outra pronta para sua próxima mudança.

8.5.4 Esvaziando a bolsa

Uma vez que as bactérias se multiplicam rapidamente na urina, é importante esvaziar a bolsa a intervalos regulares. Durante o dia, você provavelmente achará necessário esvaziar a bolsa a cada duas ou quatro horas ou com mais freqüência, se você beber muitos fluidos. Crianças podem precisar esvaziar suas bolsas mais vezes, pois estas são menores. O volume de urina pode colocar em risco a vedação da bolsa.

Recomenda-se esvaziar a bolsa quando o volume atingir entre um terço e a metade do conteúdo. Apenas abra a válvula e drene a urina para um receptáculo apropriado, geralmente direto para o vaso sanitário.

8.5.5 Cintos e fita

Cinto

Usar um cinto é uma questão muito individual. Certas pessoas que têm uma urostomia usam um cinto para estomia porque isso faz com que se sintam mais seguras ou dá apoio ao sistema de bolsa. Outras acham que o cinto de estomia é desajeitado e usam uma fita. A fita pode ser aplicada ao redor da borda externa da barreira de pele, formando uma moldura para ela. Se você escolher usar um cinto de estomia, ajuste-o de modo a deixar uma largura de dois dedos entre o cinto e sua cintura, a fim de impedir a formação de um sulco profundo ou corte na pele em volta do estoma. Isso poderia resultar em sério dano ao estoma e provocar úlceras de pressão na pele circundante. Pessoas que estão em cadeiras de rodas podem precisar de cintos especiais. Os fabricantes podem fornecer esses acessórios ou você mesmo pode confeccionar o seu utilizando artigos de lojas especializadas.

8.5.6 Sistema de drenagem noturna

Sistema de drenagem noturna

À noite, o fundo da bolsa é conectado a um sistema noturno de drenagem que levará a urina do estoma durante as horas de sono. Isso permitirá que você durma sem ser perturbado, seguro de que a urina será transportada para um recipiente ao lado da cama pela gravidade. Sua bolsa não ficará cheia a ponto de afastar-se do corpo e seu estoma ficará protegido contra a acumulação da urina “forte”.

Quando ligar a bolsa ao recipiente de drenagem noturna (vaso ou bolsa), deixe uma pequena quantidade de urina na sua bolsa antes de fixar o tubo, a fim de impedir a formação de um vácuo no sistema. O recipiente ao lado da cama deve ser aberto e o tubo deve ser ligado ao seu topo, com não mais de 2,5 cm adentrando o interior de uma garrafa com cerca de 2 l. Se o nível da urina ultrapassar a extremidade do tubo que está dentro do recipiente, a drenagem cessará. O recipiente pode ser pendurado ao lado da cama ou colocado no chão, talvez dentro de um cesto para papéis.

Para limpar o tubo e o recipiente coletor da drenagem, insira cerca de 60 ml de uma solução de água e vinagre branco pela válvula de saída da sua bolsa vazia e prenda ao recipiente coletor (1 parte de vinagre branco para 3 partes de água).

8.5.7 Equilíbrio do pH urinário

O pH urinário define-se como o grau de acidez ou alcalinidade de um fluido. Quando a comida que você come é queimada no corpo, isso produz um resíduo mineral chamado cinzas. Essas cinzas podem ser ácidas ou básicas (alcalinas), dependendo de a comida “queimada” possuir um número maior de íons ácidos ou básicos.

Muitos vegetais e frutas realmente produzem uma cinza alcalinizada e tendem a alcalinizar a urina. Carnes e cereais geralmente produzem um resíduo de cinza ácida.

A não ser que seja necessário proceder de outro modo, a urina deve ser mantida num estado ácido. Para manter a urina em estado ácido, aumente sua ingestão diária de fluidos para oito a dez copos de água de 200 ml. Troque por outros o suco de laranja ou de outros cítricos que tendem a tornar a urina mais alcalina e tome vitamina C (se o seu médico aprovar). Alguns dos alimentos que produzem cinzas ácidas incluem: a maioria das carnes, pães e cereais, queijo, milho, ovos, macarrão, nozes, ameixas secas, peixes e aves.

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